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Seleção técnica de resinas para adesivos: nossa palestra na FEIPLAR & FEIPUR 2026

Nosso gerente técnico, Vinicius Neves, falou no Painel Adesivos & Selantes sobre mecanismos de adesão, critérios de seleção de resinas e por que a ficha técnica sozinha não basta. O vídeo completo está aqui, com um resumo do que foi apresentado.

Equipe MatriKem Outubro 2026 Vídeo de 18 min · 6 min de leitura

Sobre a palestra

A MatriKem participou do Painel Adesivos & Selantes da FEIPLAR Composites & FEIPUR 2026, uma das principais feiras de compósitos e poliuretanos da América Latina. Quem subiu ao palco foi Vinicius Neves, sócio fundador e gerente técnico de materiais da MatriKem, engenheiro de materiais com ênfase em polímeros e aluno especial na USP.

O tema: Seleção técnica de resinas para adesivos: mecanismos de adesão e a contribuição do fornecedor no desenvolvimento de formulações. São 18 minutos que partem de um problema que chega toda semana ao nosso suporte técnico e terminam com uma pergunta que vale a pena levar para a bancada.

O ponto de partida: "não está colando"

A palestra abre com um caso real. Um cliente liga com um problema de adesão: o adesivo descolou. A primeira pergunta que fazemos é qual é a base polimérica. E muitas vezes o cliente não sabe. Nesse caso era um PU em sistema solvente, e nem o solvente estava identificado. O trabalho começou do zero, entendendo o que estava em uso e o que a aplicação exigia.

Daí vem uma posição que o Vinicius defende na palestra e que orienta o nosso atendimento: é melhor levar o cliente para o vocabulário técnico do que simplificar a ponto de deixá-lo sem entender o próprio processo.

Adesão é um fenômeno de interface

A revisão de mecanismos parte da definição clássica dos handbooks de adesão: a ciência do adesivo é a junção de física, química e mecânica. Entre o adesivo e o substrato existe uma zona de interação, e é ali que a maior parte dos problemas nasce.

  • Adesão e coesão precisam andar juntas. Não adianta o adesivo ancorar muito bem no substrato se a própria camada de adesivo, ou o substrato, rompe antes.
  • A espessura da camada tem mínimo e máximo. Camada grossa demais vira ponto de fragilização. Camada fina demais também.
  • Os mecanismos se somam. Forças de van der Waals, pontes de hidrogênio, intertravamento mecânico, difusão e ligação química: são cerca de cinco grandes teorias, e em um sistema real mais de uma atua ao mesmo tempo.

Molhamento, energia superficial e o papel do primer

Para aderir, o adesivo precisa se espalhar. Um ângulo de contato alto significa que o líquido tende a formar uma gota esférica, a forma de menor área por volume. Um ângulo baixo significa que ele se espalha, ocupa mais área e cria mais pontos de contato com o substrato.

O que define esse comportamento é a energia superficial. Os átomos da superfície não completam todas as suas ligações e ficam disponíveis para interagir. Quando a superfície já é muito estável, como no PTFE (Teflon), esse potencial de interação praticamente desaparece.

Duas consequências práticas aparecem na palestra:

  • Nenhuma superfície é lisa no microscópio. O primer regulariza o substrato e, muitas vezes, ajusta a polaridade da superfície para receber o adesivo.
  • A viscosidade controla o tempo de contato. Ela interfere no espalhamento antes da cura, da gelificação ou da reticulação.

Para um exemplo concreto de ligação química na interface, veja nosso artigo sobre por que a resina vinílica adere ao metal.

Seleção de materiais é uma decisão com critério

A segunda parte traz a ferramenta da engenharia de materiais para escolher uma resina. O ponto de partida é o tetraedro clássico, que liga estrutura, propriedades, processamento e desempenho, com a caracterização no centro. É a caracterização que permite, por métodos analíticos, estimar a composição de um adesivo que o cliente traz sem ficha.

Sobre essa base entra a metodologia de seleção de Ashby e o índice de mérito. O Vinicius usou uma analogia simples: escolher um apartamento para alugar. Perto do metrô vale dois pontos, preço bom vale um. Na formulação é igual. Você define:

  1. A função: o que o adesivo precisa fazer.
  2. O objetivo: o que maximizar, seja adesão a um substrato específico, custo ou margem.
  3. As restrições: por exemplo, aplicações da área da saúde que vetam polímeros halogenados como os vinílicos.

O resultado aponta a família de materiais mais adequada, e às vezes não é a que o cliente esperava.

PU, vinílicas, acrílicas: por que há espaço para todas

O quadro comparativo da palestra mostra, de forma geral, o PU com flexibilidade excelente, resistência térmica elevada e adesão a uma variedade grande de substratos. As vinílicas, uma família que vai da cola branca de PVA ao plastisol de serigrafia, aparecem com flexibilidade moderada.

Se o PU vai tão bem em tantas superfícies, por que acrílicas e vinílicas continuam firmes no mercado? Porque a escolha não é decidida por uma propriedade isolada. Ela sai do índice de mérito: processo, velocidade de produção, substrato e restrições pesam tanto quanto a força de adesão.

Na palestra também aparece a discussão sobre termorrígidos (PU, silicone) e economia circular. Para muitas aplicações que exigem durabilidade e desempenho estrutural, não há como fugir de um termorrígido, e essa conta também entra na seleção.

A ilusão da ficha técnica

Esse é um dos pontos centrais da palestra. Um cliente chega com a ficha técnica de uma resina importada e pede um substituto. As fichas batem: viscosidade, teor de sólidos, tudo igual. E mesmo assim o produto não é igual.

As fichas técnicas costumam deixar de fora o que define o desempenho em linha: distribuição de massa molar, curvas de reologia sob cisalhamento, migração de plastificantes, compatibilidade com aditivos secundários. O exemplo que o Vinicius usou foi o emulsificante residual que sobra da síntese no reator. Duas resinas "equivalentes", uma com emulsificante residual baixo e outra com alto, vão se comportar de forma diferente na adesão, porque parte da química de superfície já está ocupada pelo resíduo do processo.

Trocar matéria-prima só por parâmetros genéricos é risco elevado de falha e colapso de adesão em linha de produção. A decisão pede análise, teste em laboratório e conhecimento prático da aplicação.

O papel do fornecedor no desenvolvimento

A palestra fecha defendendo que o fornecedor tem um papel relevante em toda a cadeia de desenvolvimento, e não só na entrega da matéria-prima. Na MatriKem, decidimos acompanhar o cliente em todas as etapas:

  • Caracterização: identificar a família do adesivo em uso por técnicas analíticas, porque uma acrílica, por exemplo, tem uma assinatura própria.
  • Coformulação: equilibrar a base de resina com o restante do sistema.
  • Validação real: confirmar o desempenho no processo produtivo do cliente, não só na teoria.

Cada fornecedor tende a defender a família que vende. O Vinicius propõe o contrário: olhar para a necessidade real do cliente, mesmo quando o índice de mérito aponta para uma família de materiais que não está no nosso estoque. E isso exige sinceridade dos dois lados. Tem cliente que não abre o jogo no início, e o projeto só anda quando fornecedor e cliente compartilham as informações de verdade.

Nas palavras dele, formulação é arte e ciência, mas pertence a todos. Como na cozinha, se aprende testando, errando e acertando, e nada é mais prático do que uma boa teoria.

A provocação: por que o blister de remédio usa adesivo vinílico?

No meio da palestra fica uma pergunta para a plateia. Se o PU tem resistência mecânica maior e adere a mais substratos, por que a cartela de remédio usa adesivo vinílico, a ponto de a substituição nem ser discutida?

A resposta veio no fim: velocidade de processamento e afinidade com o substrato. O blister já é vinílico, então a adesão é natural, e o sistema ainda entrega a barreira de que a embalagem precisa. O PU teria resistência mecânica muito alta, mas precisa de tempo de reticulação, e uma linha de termosselagem não tem esse tempo. É o índice de mérito na prática.

Capítulos do vídeo

Está com um problema de adesão ou quer trocar uma resina?

Fale com nosso especialista. A gente começa entendendo a sua aplicação antes de indicar qualquer produto.

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